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Prelúdio à Felicidade



Será que aos grandes poetas alguma vez faltou-lhes a palavra?
Nem a noite,que me é prazerosa companheira,
inspira a contar meus mais recônditos segredos.
A sombra do que fui,hoje se distorce em imagem
de um presente cheio de dúvidas e pesares.
A felicidade,assim como os demais sentimentos,
é um estado que transita pelos nossos dias,
trazendo satisfação e conforto a alma.
Mas porque me sinto vazia,quase que aniquilada,
gozando de tal estado, mesmo que por raros momentos?
Sou sabedora das exigências da minha alma.
Sou meu próprio algoz!

Ser grandiosa,como afirmam os que me amam,
afasta-me do mundo em que obrigada sou a viver.
Essa tal nobreza que me enaltece,criou uma redoma
e me faz inatingível ao amor dos humanos.
Ouvi dos corações que amei juras de amor
e confissões de quão divina fui e sou,
mas nunca alcançou a minha alma
o amor que meu coração sedento clama.

Mais uma vez pesarosa enxergo ser
eu mesma meu Judas Iscariotes.
Não procuro a culpa em ninguém,
ela mora num fundo e quase inatingível
poço incrustado em mim.
Teria sido a clausura
companheira ideal da minha existência?
Quantas vezes na juventude essa idéia
me alcançou,mas terminei por dar asas
a um caminho que me faz
por companheira a solidão.

Porém,a persistência em querer ser
e permanecer feliz não me abandona.
Se para isso,num ciclo de perdas e ganhos,
eu tiver que viver,continuarei a passos miúdos,
apesar de a vida me apressar.
Inconstante,transparente,apaixonada,assim sou eu.

Aí de mim que me perco e não me encontro
em alma do amor que me foi prometido!
Talvez não seja para esse mundo,
muito menos para essa vida,
a predestinação da felicidade que sonhei.
A pena do poeta outrora
já havia me dito ao pé do coração
a verdade da minha vida,
fiz-me surda,cega fui.

Se poeta também sou,
quis meu próprio destino escrever.
Traí-me,me sabotei.
Que importa!Sei eu do meu amor,
sei eu da minha dor!
Aos que me acompanham
não peço mais a compreensão.
Como pedir o que eu mesma não possuo?
Deixo a Deus o meu caminho
e ao meu louco coração
o desvario dos amores!

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 Rita de Cássia - Sp

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