O AMOR QUE EU NUNCA FIZ

O amor que eu nunca fiz
E nem vivi plenamente,
Tinha cheiro de pecado,
Tinha um monte de carinhos guardados,
Tinha início num simples beijo
Que terminava envolto em milhões de desejos.
O amor que eu nunca fiz era criança,
Era alucinado e acalorado,
Depois virou adolescente e carente.
Mais tarde, um senhor
Triste e empalhado,
Escondido dentro do passado.
O amor que eu nunca fiz
Tinha cheiro de jasmim,
Perfume de alecrim,
A cor da aurora.
Teria sido um instante de glória.
Talvez o começo de uma história.
Chamava por mim,
Sempre foi assim,
No silêncio da madrugada,
Em alguma hora encantada.
Ele era fantasiado de alegria
Escondido atrás da agonia.
Quente e louco!
Perturbado e indisciplinado!
Era medroso, cheio de angústias,
Partículas de tormentos.
Cheio de instantes e momentos.
O amor que eu nunca fiz
Chamava-me, enfeitiçava-me,
Tentava me levar ao final da estrada
Mas, minha fuga,
Sempre era alucinada.
Fuga de lágrimas sem palavras.
O amor que eu nunca fiz era gelado,
Frio e molhado,
Doce e salgado,
Fugitivo e enraizado,
Seco e atormentado,
Imperfeito e arruinado.
O amor que eu nunca fiz
Deixou-me marcas
Em toda parte,
Em cada pedaço do meu corpo,
Nos lábios e no rosto,
No peito e na emoção,
Na saudade e no coração.
Fugiu de mim,
E sempre vai ser assim
Porque o amor que eu nunca fiz,
Riu quando eu não quis,
Embora eu saiba
Que dentro do seu coração
Ficou um vácuo,
Uma ilusão,
Uma estranha sensação.
Mas o amor que eu não fiz
Ainda me atormenta,
Ainda me alimenta,
Ainda não se satisfaz,
Ainda não é capaz.
O amor que eu nunca fiz
De certa forma eu já fiz
Quando olhei nos seus olhos,
Quando beijei a sua boca,
Quando fiquei completamente louca,
Quando, nas noites de verão,
Peguei na sua mão,
Quando o seu corpo encostou no meu
E, enlouquecida, eu quis o seu.
O amor que eu nunca fiz
Abriu-me uma porta,
Iniciou uma história,
De derrota e de glória,
De despedida e partida,
De amizade sofrida,
De paixão, amor e dor.
O amor que eu jamais fiz
Foi nosso peso,
Foi nossa medida,
Nosso pesadelo
E nossa dívida.
Foi nosso desespero
E, ficou sendo também,
O nosso segredo.
O amor que eu nunca fiz
Foi justamente, de todos,

O que eu mais quis!
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SC@LIBUR
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