Dor da Solidão
                
 
                
Cheguei como que nada querendo,
Insisti em ficar, fui ficando e você deixando
Eu mansamente de você me apossando.
E agora que quero garras, me diz não ligo.
Por vezes me arranhas e até me assanhas,
Mas parece não saber o que fazer comigo.
Caminhamos por vezes juntos,
Passo a passo no compasso.
Em dias até, sexo fizemos crasso.
Foi comigo onde quis te levar.
Dos desencantos sussurrei acalantos.
Deixamos marcas e nos deixamos embriagar.
Estirei-me sobre os lençóis alvos,
Como noiva que espera ardente.
Lambi-lhe com amor o sexo quente.
Deitei-me sobre teu corpo como que a morte,
Sob o olhar da lua curiosa,
Que de inveja se escondia num luar torpe.
Furtamos as luzes das estrelas de sagitário.
Fizemos e refizemos o outono,
Colocados ao pé do altar do amor como num plenário.
Fiz-me tua amante, fui tua mulher.
Abri forçadamente teu peito e nele me aconcheguei.
E te disse: - Faça de mim o que quiser.
Cheguei como que nada querendo,
Insisti em ficar, fui ficando e você deixando
Eu mansamente de você me apossando.
Melhor ficado não tivesse,
Pois há coisas que jamais se esquece,
Quando cruzam nosso caminho.
E agora, quando te fores? E fostes...
Sentirei as terríveis dores,
Da imensa solidão, sozinha...
 
M C M abril de 2003 

 







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